FICHA TÉCNICA

Projeto 180 anos de samba cantando Adoniran & Noel

Concepção, pesquisa e repertório:
Mónica Thiele
Pesquisa Histórica, texto e narração no show:
Dilmar Miranda
Direção Musical: Paulo Bellinati

Intérpretes:
Vésper Vocal - Ilka Cintra, Nenê Cintra, Mazé Cintra, Juçara Marçal e Mônica Thiele (Direção Musical)
MPB4 - Aquiles, Miltinho, Ruy e Magro (Direção Musical)
Roberto Silva
Luiz Tatit

Músicos: Adriana Holtz (cello), Benjamim Taubkin (piano), Edmilson Capelupi (violão de 7 cordas e cavaquinho), Guello (precussão), Nailor Proveta (clarinete e saxofone), Osvaldinho da Cuíca (percussão), Paulo Bellinati (violão)

Arranjadores: Edmilson Capelupi, Magro Waghabi, Maurício Carrilho, Mónica Thiele, Nailor Proveta, Paulo Bellinati e Maurício Maestro.

Gravado ao vivo no teatro do Sesc Vila Mariana por João "Big John" Zílio, Asist de estúdio: Marcelo Dworecki Autuori.
Mixado no Estúdio do Sesc Vila Mariana por: João "Big John" Zílio, Mário Manga, Mónica Thiele e Magro Waghabi, Asist de estúdio: Marcelo Dworecki Autuori.
Masterizado no DUB STUDIUS SP por Gustavo Lenza, assist. de masterização: Edu Barbosa

Produção Artística do CD: Mário Manga
Produção Executiva: Vila Rica Arteprodução
Produtor Fonográfico: Estúdio Eldorado Ltda.
 

 
 

180 anos de samba cantando Adoniran & Noel

Vesper Vocal - MPB4 - Luiz Tatit - Roberto Silva

Muitos fatos os ligam, além do ano de 1910, quando nascem: Adoniran em agosto e Noel em dezembro. Mas com certeza, o grande encontro dos dois se dá na arte que escolhem para cantar sua época e suas cidades, seus lugares preferidos e tipos populares, e falar de si próprios: o samba, o moderno samba urbano recentemente desgarrado de suas origens amaxixadas. Agora, com a síncope mais leve, se presta para os meneios maliciosos da festa popular como o carnaval, bem como narrar de modo mais faceiro, às vezes sarcástico e debochado, o cotidiano das pessoas, seus amores e frustrações, a boemia e a malandragem. Os dois vivem um momento importante da vida nacional quando o país assiste ao fim da República Café com Leite das velhas oligarquias e ao começo de um novo modelo de sociedade urbano-industrial. Este é o contexto donde aflora a arte de ambos.
Noel começa a compor em 1929, criando logo um sucesso: o samba Com que Roupa. Adoniran em 1933, quando o destino marca mais um encontro entre os dois. Por várias vezes, o novato João Rubinato tenta a carreira de cantor, se apresentando no famoso Programa de Calouros de Paraguaçu (Roque Ricciardi), na rádio Cruzeiro do Sul. A primeira tentativa se dá com o grande sucesso do carnaval de 1931, Se você Jurar de Ismael Silva e Nilton Bastos, dois grandes sambistas do Estácio de Sá, geração responsável por ter liberado o samba da herança do maxixe. Queixando-se a seu grande amigo de boemia Adoniran Alves, o próprio João Rubinato, cuja voz era apreciada por alguns amigos (dizia-se que se inspirava no seu grande ídolo, o sambista carioca Luís Barbosa, aquele do chapéu de palha percussivo), atribui ao nome de origem italiana, a causa do seu insucesso. No final do mesmo ano de 1933, a carreira começa a deslanchar quando vence o programa de Paraguaçu, interpretando Filosofia do carioca Noel Rosa. Nesse momento nasce Adoniran Barbosa
Noel e Adoniran estão também unidos por um parceiro comum: Hervê Cordovil. Com ele, Noel compõe Triste Cuíca e Adoniran Prova de Carinho. Diz-se que a poética das canções de Noel é quase sempre um amar debochado ou gaiato, como o do Pierrô e do Gago Apaixonado. Se for verdade, poderíamos ver afinidades no amor sarcástico e tragi-cômico de Adoniran, como o do Tiro ao Álvaro, Iracema, Já fui uma Brasa. Se os dois se encontram na identidade de uma poética sarcástica ou gaiata, existe por outro lado uma identidade no insólito em suas obras, que os distingue em canções de puro lirismo como a belíssima letra de Queixumes para a melodia de Henrique Brito, companheiro de Noel do Bando dos Tangarás, e a melodia de Bom dia, Tristeza que se integra num todo de rara beleza com a letra de Vinicius de Moraes. Outro elo de identidade na poética e sensibilidade dos dois: Noel e Adoniran souberam cantar como ninguém, suas cidades - Rio e S. Paulo. e seus lugares amados. Noel nomeia diretamente esses lugares, como a Vila Isabel e a Lapa. Adoniran os canta através dos tipos urbanos que constrói, como Mato Grosso e Arnesto.
Estas são as razões que justificam fortemente a celebração que o SESC faz do nascimento de dois dos maiores sambistas de todos os tempos. Mais do que uma simples coincidência de datas, os dois, irmanados num destino comum, podem ser representados, em nossa fantasia, por um lugar imaginário de boemia que freqüentavam, em cidades e momentos distintos, fundido num mesmo espaço-cenário – a Lapa de Noel e o Bexiga de Adoniran.
Em 180 Anos de Samba participam artistas paulistas e cariocas: dois grupos vocais, Vésper e MPB4 , e dois cantores, Roberto Silva e Luiz Tatit. Formações e estilos diferentes identificados numa mesma intenção: celebrar nossa arte maior – o samba e dois de seus maiores inventores: Noel e Adoniran.

Direção musical: Paulo Bellinati e Mônica Thiele
Músicos:
Piano: Benjamim Taubkin
Sax e clarinete: Proveta
Violão: Edmilson Cappelupi
Percussão: Guello e Osvaldinho da Cuíca
Violão: Paulo Bellinati
Cello: Adriana Holtz

O espetáculo contou ainda com a narração em cena de Dilmar Miranda, com intervenções pontuais, condensando informações sobre a obra dos dois artistas e sua época.

  Músicas: